São Paulo e Minas Gerais impulsionam conexões em Fórum do Café e Vinho

22/09/2026 Notícias

Debates sobre produção agrícola em altitude, logística e acordos institucionais permearam a programação

Protagonista no eixo Minas-São Paulo, Espírito Santo do Pinhal recebeu, no dia 18 de setembro, o Fórum do Café e Vinho: Agronomia e Desenvolvimento Regional. Realizado pelo Instituto Paulista de Entidades de Engenharia e Agronomia (IPEEA) em parceria com a prefeitura e com o apoio do Confea, Crea-SP, Crea-MG e Mútua-SP, o evento reuniu produtores e especialistas dos mais diversos segmentos da localidade.

O vice-presidente do Crea-SP, engenheiro civil Fernando Pedro Rosa, destacou que a presença de profissionais da área tecnológica não apenas possibilita métodos cada vez mais complexos, como também garante impacto social relevante. “O café e o vinho que chegam às mesas da nossa população são muito mais do que tradição e trabalho. Há sempre um profissional habilitado à frente dessas atividades que responde tecnicamente pela fabricação desses bens, gerando renda no campo e valor agregado aos produtos, fortalecendo o agronegócio e abrindo caminhos para o turismo rural e para as rotas cafeeiras”, disse.

A região que une Espírito Santo do Pinhal e Santo Antônio do Jardim, em São Paulo, à divisa com Jacutinga e Albertina, em Minas Gerais, é referência por plantações históricas de café e vinícolas de alta qualidade. Transformar esse potencial cultural e produtivo em progresso local efetivo depende diretamente de infraestrutura, planejamento territorial e políticas públicas bem formuladas.

Paulo Monteiro, administrador de vinícola e consultor especializado em viticultura, e o engenheiro agrônomo André Luis Paradela, coordenador da Câmara Especializada de Agronomia (CEA) do Conselho, abriram o painel “Agronomia de Precisão em Altitude: a tecnologia e ciência por trás do Café e do Vinho de Altitude”, mediado pelo engenheiro agrônomo Mário Cavallari, mestre pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).

“Hoje falamos sobre cafeicultura e vitivinicultura, demonstrando o potencial para outros agricultores que queiram fazer parte desse processo e participar tendo a noção clara da viabilidade econômica. Esse é um caminho e um legado que ficará para outras gerações no desenvolvimento da agricultura regional”, destacou Cavallari.

Coordenadora de Infraestrutura da Superintendência de Projetos e Planejamento da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), a engenheira civil Nayara Yokohama Vieira Kako, mestre pela USP, deu continuidade à programação com a palestra “Estradas que Escoam Safras: Logística Rural na Divisa SP-MG”.

Na ocasião, foi apresentado um novo projeto de infraestrutura voltado para facilitar o escoamento de itens de Espírito Santo do Pinhal e cidades vizinhas. “Trouxemos um painel para falar sobre a importância da Rota Mogiana, um novo lote concedido que integra o programa de concessões do Estado. Eventos desse tipo são muito importantes para conectar produtores e consumidores”, explicou.

O último encontro, intitulado “Território em Rede: Ordenamento e Desenvolvimento Regional entre São Paulo e Minas Gerais”, foi mediado pelo advogado e doutor em Direito Urbanístico Wilson Levy, e contou com a participação do administrador Eduardo Andrade de Carvalho, do cientista social e arquiteto José Police Neto e do diretor do Departamento Municipal de Turismo de Espírito Santo do Pinhal Thiago Palombo.

“O turismo não tem cerca. É fundamental que aqueles municípios que estão mais desenvolvidos sejam base para os menores que não têm ainda esses investimentos do setor privado, como nós estamos tendo hoje aqui em Espírito Santo do Pinhal. Nós estamos sendo parceiros, construindo um caminho e o roteirizando de uma forma lógica para que os visitantes se sintam cada vez mais pertencentes às histórias, às experiências, aos produtos que nós estamos criando aqui”, ressaltou Palombo.

Os participantes ainda contaram com quatro visitas técnicas para conhecer de perto os processos utilizados pelos agricultores do município. Entre elas, a vinícola Terra Nossa, representada pelo sócio-proprietário e engenheiro agrônomo André Luis Sano Martins. “Tivemos uma tarde super agradável com os colegas engenheiros e pudemos contribuir e mostrar um pouco da região que vem se destacando muito pelo método de dupla poda. Antigamente era conhecida somente pelo café, hoje já se fala que o vinho anda junto”, comentou.

Já a engenheira agrônoma Francisca Ramos de Queiroz, inspetora na Unidade de Gestão e Inspetoria (UGI) Norte, fez um balanço das duas partes do evento. “A parte da manhã foi excelente, com palestrantes e debates que trouxeram uma série de novidades. E a tarde culminou com essa visita maravilhosa à Terra Nossa. É um exemplo para o Brasil e nós ficamos encantados”, compartilhou.

Clique aqui para ver mais fotos

Fonte: creasp.org.br